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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Rito de passagem indígena
1º ano do Ensino Médio (Colégio São Jorge dos Ilhéus/2016), logo abaixo se encontra o vídeo que assistimos em sala de aula para melhor compreendermos a questão dos ritos de passagem tão estudados pelos antropólogos.
sábado, 26 de março de 2016
0,50 centavos de Grécia Antiga: O sensual Hermes e as folhas de cacau.
Por Jacquelyne Queiroz
Estava
subindo as escadarias de um prédio em Ilhéus (Sul da Bahia) quando vejo um
painel com mais de dois metros de altura. Pela posição do prédio e por ser fim
de tarde o vitral estava especialmente iluminado fazendo as figuras que o
compunham saltarem aos olhos de quem passava.
Parei
durante uns instantes e no meio daquele colorido bonito vi a imagem de um jovem
em meio as árvores. Logo percebi que o rapaz estava usando um capacete com
asas, sandálias aladas e portando um caduceu (cajado). Reconheci o jovem como o
deus Hermes, mas logo me perguntei: O que que Hermes está fazendo aqui nu,
sensualizando atrás dessas folhas de cacau?
E assim constatei que o pé de cacau
por aqui poderia me dar mais que chocolate, pois nele encontrei 0,50 centavos de Grécia Antiga.
Zeus se encontrava com a ninfa Maia
enquanto a sua esposa Hera dormia. Desses encontros amorosos nasceu Hermes que
tinha dentre as suas características ser multiardiloso. Serra (2006, p. 189)
nos fala que multiardiloso nesse sentido pode significar alguém que é
multiversátil, muito astuto, que sempre encontra um jeitinho de sair dos
problemas, sabe fabricar soluções ou seja, aquele que sabe “dar a voltar por
cima” em alguma situação difícil.
Outra característica de Hermes é que
ele é célere (H. H., XVIII, 3), ou
seja rápido. Ele era tão danado que nasceu de manhã, meio dia inventou citara e
à noite roubou as vacas de Apolo (H. H.,
IV, 17-20). Ainda usando fraldas, Hermes ao roubar as vacas faz para si uma
sandália em que a direção dos pés fiquem ao contrário e envolto em folhas (H.H., IV, 77-82) para despistar quem o
procurasse.
A parte cômica da narrativa é
imaginar Apolo forte e com porte atlético segurando um bebê recém nascido nos
braços, falando sério e bravo, acusando Hermes bebê de roubo. Enquanto Hermes
todo irônico pergunta a Apolo se ele lhe parecia ser robusto para poder roubar
(H.H., IV, 265-269).
Apesar de Hermes ser um bebê, com
palavras ardilosas, ele tenta enganar Apolo, negando até o fim que não roubou
as vacas. Zeus, seu pai, exige que Hermes mostre onde estão as vacas a Apolo e
assim é feito. Para aplacar a ira de Apolo, Hermes negocia com ele a lira que
tinha inventado naquele mesmo dia, ficando Apolo muito contente com o
instrumento musical. O deus da beleza ainda diz a Hermes que ele seria o deus
estabelecedor das “artes da troca” entre os homens (H.H. ,IV, 517) e ainda o presenteou com o caduceu.
Hermes é sempre representado moço e
sem barba (Odisseia, X, 277-279) e
também gosta de estar longe das batalhas (Ilíada,
XX, 35). Até porque a guerra prejudica em muito o andamento do comércio.
Essa imagem estava justamente no
prédio da Associação Comercial de Ilhéus que foi construído em 1934. Nesse
período o comércio da cidade era muito próspero por conta do cultivo de cacau
(a cidade foi uma das maiores produtoras do mundo durante muitos anos). Fiquei
muito feliz com a coerência, não haveria melhor lugar na cidade para Hermes
morar.
Até
aqui consegui entender porque o Hermes retratado no vitral é jovem e está
carregando o caduceu (presente de Apolo), mas ainda não compreendi muito bem
porque o deus do comércio e da eloquência está nu. Acredito que se ele visse
essa homenagem... sensualizando... acho que ficaria com vergonha de ser as suas
vergonhas sendo escondidas com os galhos de um cacaueiro.
REFERÊNCIAS:
HOMERO.
Hino Homérico IV: A Hermes (versão
bilíngue). Tradução e notas de Ordep Serra. São Paulo: Odysseus, 2006.
______.
Hinos Homéricos I e do VI ao XXXIII (versão
bilíngue). Tradução e notas de Luiz Alberto Machado Cabral. São Paulo:
Odysseus, 2010.
______.
Ilíada (versão bilíngue). v. 2.
Tradução Haroldo de Campos. São Paulo: Arx, 2002.
______.
Odisseia (versão bilíngue).
Tradução, posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo: 34, 2012.
SERRA,
Ordep. Notas. In: HOMERO. Hino Homérico
IV: A Hermes. (Tradução, introdução, estudos e notas de Ordep Serra). São
Paulo: Odysseus, 2006, p. 179-232.
segunda-feira, 7 de março de 2016
Fez a atividade: Tá tranquilo, tá favorável!
Para incentivar os alunos do Colégio São Jorge dos Ilhéus/2016 fiz uma brincadeira com carimbos para marcar as tarefas cumpridas e as não cumpridas. Depois de verificar se foram realizadas comemoramos fazendo uma dancinha.
Ninguém quer receber o carimbo que diz que não está tranquilo, não está favorável.
Eu acho que a brincadeira deu certo.
Click no vídeo abaixo para ver a nossa experiência.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Classes perigosas
A reportagem abaixo confirma ou discorda com o conceito de "classes perigosas" empregado pela política da medicina sanitarista do século XX? Justifique a sua resposta. (Responda em seu caderno.)
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Vinda da Família Real
7ª A e B (Colégio São Jorge dos Ilhéus - 2015) temos aqui 4 episódios (em forma de desenho animado) contando a história da vinda da Família Real para o Brasil.
EPISÓDIO 01
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EPISÓDIO 02
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EPISÓDIO 03
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EPISÓDIO 04
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
0,50 centavos de Grécia Antiga: Nem a Nike nos ajudou
Por Jacquelyne Queiroz
Laís
Souza, aluna do curso de Licenciatura em História da UNEB/Eunápolis, nos
escreveu fazendo o seguinte questionamento: Podemos ter 0,50 centavos da Grécia
Antiga ao observamos a marca de artigos esportivos Nike?
Sim, eu acho na verdade que podemos
ter até 1 real da Grécia antiga com a marca Nike.
A
deusa grega Nike (Nique, Nice) tem como características principais conceder a
vitória e a velocidade. Ela é filha da deusa Estige e do titã Palas. Tem como
irmãos Zelo (Dedicação), Crato (Poder) e Bias (Força). Hesíodo nos conta que
durante a guerra de Zeus contra os titãs, a deusa Estige foi a primeira a
oferecer o apoio de seus filhos à Zeus.
Depois de vencida a batalha contra
os titãs e reestabelecida a ordem sobre a terra, os deuses Nike, Zelo, Crato e
Bias estão “sempre perto de Zeus gravitroante [troveja gravemente] repousam”
(Hes. Teogonia, v. 383-401).
Segundo outras narrativas míticas a
deusa Nike é companheira inseparável de Atena. Mossé (2008, p. 154) afirma que
a estátua de Atena Partenos media quase 12 metros e trazia na mão direita a
deusa Nike com 2 metros de altura.
Nike é descrita como uma deusa alada
que portava uma palma e uma coroa feita de ramos. Além de ser companheira de
Zeus e de Atena, ela também estava à frente dos jogos ginásticos, das artes e
dos trabalhos artesanais.
Desde os Jogos Olímpicos de 1896
quase todas as medalhas olímpicas possuem a imagem da deusa Nike e da coroa de
ramos. Vale a pena dar uma olhadinha na reportagem da revista Época (click AQUI) onde mostra os detalhes dessas medalhas e a presença tão forte da
deusa da vitória nos esportes. É muito provável que o símbolo da marca de
artigos esportivos Nike seja uma tentativa de reproduzir uma das asas da deusa.
Agora, faço o seguinte
questionamento: Por que uma marca de artigos esportivos escolhe como nome Nike?
A resposta nos parece agora tão óbvia... é claro, para evocar a vitória e a
velocidade para aqueles que a usam.
Mas, será que a deusa Nike vai conceder
a vitória apenas para aqueles que usam/carregam um dos seus símbolos? Vamos utilizar
um exemplo para tentarmos elucidar essa questão: a marca Nike é patrocinadora
da seleção brasileira de futebol.
No dia 8 de julho de 2014 o time de futebol brasileiro levou 7 gols da Alemanha na
Copa. Foi terrível, levantei para pegar uma pipoca na cozinha e quando voltei o
Brasil já tinha levado mais 2 gols. O negócio foi tão feio que mesmo carregando a Nike no peito, a deusa da vitória não nos ajudou nesse jogo.
REFERÊNCIAS
BRANDÃO,
Junito de Souza. Mitologia Grega. v.
1. Petrólis: Vozes, 1986.
HESÍODO.
Teogonia: A origem dos deuses
(versão bilíngue). Tradução e notas de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras,
1995.
MOSSSÉ,
Claude. Péricles: o inventor da
democracia. São Paulo: Estação Liberdade, 2008.
VITÓRIA.
Dicionário de Mitologia Greco-Romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Como adquirir inteligência e dicas para estudar com eficiência.
Essa palestra realizada pelo professor Pierluigui Piazzi é muito legal. Até que enfim alguém diz que ESTUDAR É ESCREVER.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
0,50 centavos de Grécia Antiga: O Pégaso que me deu trabalho
Por Jacquelyne Queiroz
Viajando
para o Espírito Santo, peguei um voo com conexão em Brasília de cinco horas. O
que fazer para acabar com o tédio em um aeroporto gigantesco? Andar, futucar o
que tem nas lojas e ver o que tem por aí. E assim comecei a minha andança no
aeroporto para matar o tempo. Até que me deparei em uma loja de departamento
com 0,50 centavos de Grécia Antiga bem
diante de meus olhos.
Fiquei louca por esse pônei alado e
ainda mais por ser azul, cor preferida de minha filha. Pensei logo em
comprá-lo para presenteá-la. Mas refleti um pouco e pensei que no Espírito
Santo poderia encontrá-lo com o valor mais em conta. Apesar de só ter um Pégaso
azul nessa loja do aeroporto resolvi arriscar e comprá-lo no Espírito
Santo.
Durante o voo me lembrei da origem
do Pégaso. Perseu queria trazer a cabeça de Medusa para que o rei Polidectes casasse
com outra pretendente e deixasse a sua mãe Dânae em paz, pois este vivia
“forçando a barra” para casar com ela sem o seu consentimento.
E assim começou a aventura de
Perseu, logo no início de sua jornada ele pediu ajuda a seu pai, Zeus. O deus
do relâmpago e do trovão imediatamente ordenou a outros dois deuses que o
ajudasse: Hermes, que deu a ele uma espada de diamante para cortar a cabeça
da Medusa; e, Atena que entregou-lhe um escudo bem polido que poderia ser feito
como espelho.
Ainda no caminho, Perseu recebeu das
ninfas outros apetrechos para ajudá-lo em sua empreitada: um par de sandálias
aladas, o capacete de Hades (que o tornava invisível) e um saco mágico para
colocar a cabeça da Medusa (STEPHANIDES, 2004, p. 24).
Segundo Grimal (2010, p. 31), a
Medusa tinha um aspecto pavoroso, pois além dos cabelos de serpentes, possuíam
o corpo todo de escamas, mãos de bronze, asas de ouro, olhos que faiscavam e
quem os olhasse diretamente era transformado em pedra. Mesmo com um aspecto tão
horroroso, Poseidon não tinha medo e a deixou grávida.
Ao chegar ao local indicado, Perseu
voou com as sandálias aladas e invisível encontrou as três irmãs Górgonas
dormindo. Ele com cautela escolheu a mortal Medusa e com o auxílio do reflexo
do escudo, sem olhar para ela, “lhe decapitou o pescoço, surgindo o grande
Aurigládio [o gigante Crisaor] e Pégaso” (Hesíodo, Teogonia, v. 280-281).
Se formos aqui somar dois mais dois,
vamos entender que tanto Crisaor quanto Pégaso são filhos de Poseidon. Pégaso
também teve algumas participações importantes no mundo heroico, pois além de
ajudar Perseu em suas aventuras, ainda auxiliou Belerofonte a matar um mostro
marinho. Quando Belerofonte morreu, Pégaso foi morar no Olimpo apesar de ser
filho de Poseidon. Não sabemos porque ele preferiu a morar com o tio.
Vamos voltar ao pônei alado azul da
foto. No site oficial da marca, o nome desse brinquedo é Meu Pequeno Pônei
Arco-Íris (tradução) e lá tem a informação que ela é um pégaso fêmea. Porém, as
narrativas míticas da Grécia Antiga se referem a Pégaso como macho.
Apesar do brinquedo ser azul e possuir a
cabeleira multicolorida, eu não encontrei informações ou maiores descrições
(como a cor ou tamanho) nos livros que consultei. Ainda o site oficial do
brinquedo nos informa que esse personagem (que faz parte de um desenho animado)
tem como símbolo o arco-íris. Só que o arco-íris é a teofanização (manifestação
divina) da deusa Íris, divindade responsável pela comunicação. E por que a
marca do brinquedo associou Pégaso ao arco-Íris? Vamos chutar?! É por que
Pégaso apesar de ser filho do deus do oceano, ele vivia no ar pertinho do
arco-íris?! Eis o mistério da fé...
A questão é que o Pégaso “fêmea” da
foto me deu muito trabalho. Pois quem disse que eu achei para comprar em
Vitória do Espírito Santo? Corri meio mundo para comprar esse brinquedo e não
consegui. A minha esperança estava na viagem de volta, pois teria que passar
novamente pelo aeroporto de Brasília.
Depois de correr, implorar para a
vendedora em Brasília procurar comigo o pônei, pedir desconto, ouvir “Já está
no preço de à vista”, trazer na bagagem de mão do avião, esconder de uma criança
vizinha de poltrona porque os olhinhos dela brilharam quando viram o
brinquedo... finalmente encontro minha filha, entrego o Pégaso “fêmea” azul e,
e... ela pega o cavalo alado joga longe e prefere a caixa do brinquedo. Poxa!
REFERÊNCIAS:
GRIMAL,
Pierre. Mitologia Grega. Porto
Alegre, RS: L&PM, 2010.
HESÍODO.
Teogonia (Estudo e tradução de Jaa
Torrano). São Paulo: Iluminuras, 1995.
PÉGASO. Dicionário
de Mitologia Greco-Romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
STEPHANIDES,
Menelaos. Teseu, Perseu e Outros Mitos.
São Paulo: Odysseus, 2004.
domingo, 22 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
0,50 centavos de Grécia Antiga: As caixas de papelão e Pandora
Por Jacquelyne Queiroz
Carol Lima (estudante do curso de graduação em História da UNEB, Campus XVIII – Eunápolis) indo para o seu trabalho, se deparou com 0,50 centavos de Grécia Antiga bem a sua frente: uma fábrica de caixas de papelão.
![]() |
| Pandora: fábrica de caixas de papelão em Eunápolis (Bahia) |
Quase
todo mundo acaba associando Pandora às caixas e a curiosidade em abri-las. Mas, para falarmos aqui um pouco sobre Pandora, temos que primeiro contarmos a
história de Prometeu, pois é praticamente impossível falar sobre um e não
mencionar o outro.
Prometeu (que significa pensar antes de fazer)
realizou duas ações em que tentou passar Zeus para trás. A primeira foi quando
estava à frente do sacrifício de um boi para os deuses e ao dividir a oferenda
entregou a carne boa para os mortais e os ossos com gordura para Zeus (Hes., Teogonia, v. 535-557. A segunda vez,
se deu quando Prometeu roubou de Zeus o fogo e entregou aos homens (Hes., Teogonia, v. 561-569).
Claro que Zeus se enfureceu e não iria deixar
que tal acontecimento passasse sem maiores consequências. Então, em troca do
fogo, Zeus enviara “um mal com o qual todos se alegrarão”, mas que no fundo seria
uma grande desventura (Hes., O Trabalho e
os Dias, v. 53-59).
Sob o comando de Zeus, Hefesto mistura terra e água, moldando à forma e semelhança das belas jovens deusas imortais. Ordenou à Atena que lhe ensinasse a arte da tecelagem e do bordado. À Afrodite, coube dar graciosidade, encanto e desejo. E por último encarregou Hermes de por o espírito cínico e dissimulado no peito da nova criatura. Ainda Hermes lhe atribuiu a fala e um nome: Pandora, porque todos os deuses do Olimpo haviam lhe concedido um dom (Hes., O Trabalho e os dias, v. 60-80).
Sob o comando de Zeus, Hefesto mistura terra e água, moldando à forma e semelhança das belas jovens deusas imortais. Ordenou à Atena que lhe ensinasse a arte da tecelagem e do bordado. À Afrodite, coube dar graciosidade, encanto e desejo. E por último encarregou Hermes de por o espírito cínico e dissimulado no peito da nova criatura. Ainda Hermes lhe atribuiu a fala e um nome: Pandora, porque todos os deuses do Olimpo haviam lhe concedido um dom (Hes., O Trabalho e os dias, v. 60-80).
A mulher era um ser perigoso, pois
com tais características o homem poderia ser facilmente engando pelas palavras
e beleza. Ainda em outro trecho da Teogonia, Hesíodo nos conta que a mulher só é companheira dos
homens enquanto existe luxo e que procuram fugir quando vem a pobreza (Hes., Teogonia, v. 591-593).
Zeus afirma que através da mulher
ele criou o belo mal. Nossa! Só para recapitular: as mulheres perante a
mitologia grega são mentirosas, ardilosas, teimosas, curiosas, interesseiras,
fofoqueiras e muito bonitas. Elas são a grande desgraça e maldição dos homens.
Pandora foi entregue como presente a
Epimeteu (irmão de Prometeu e seu nome significa aquele que pensa depois de
fazer). Ele muito se alegrou em receber o presente de Zeus, porém não sabia que lhe estava reservado. Epimeteu possuia em sua casa um jarro em que
guardava alguns artigos malignos de que não se utilizava. Apesar de ser
advertida para não mexer no recipiente, Pandora tomada por uma imensa curiosidade, destampa a jarra e dela saiu as pestes, as guerras, a fome, o trabalho e
outros males, só restando no fundo da jarra a Esperança (por vontade de Zeus,
caso contrário até essa tinha escapado) (Hes., Trabalho e os Dias, v. 90-99).
Em Eunápolis (Bahia) existe uma
fábrica de caixas de papelão feitas por encomenda denominada Pandora (ver
imagem acima). Adorei o nome da fábrica. Mas a tradução de alguns escritos
antigos quando falam acerca de Pandora, não mencionam a palavra caixa, mas sim o
termo jarra. Os vasos de cerâmica eram utilizados para praticamente tudo na
Grécia Antiga, a sua utilidade variava bastante, pois serviam para adornar os
ambientes, guardar alimentos e até serem usadas como urnas fúnebres. Acredito
que a imagem de Pandora passa a ser associada à caixa com mais força a partir do
Renascimento cultural, através da releitura do mito nas telas de artistas
famosos do período, pois sempre ela parece ao lado de uma caixa.
No mito de Pandora, as desgraças da humanidade
são atribuídas às mulheres. Mas, acontecimentos ruins também foram atribuídos à
curiosidade dos homens, por exemplo, a Odisseia
menciona que os marinheiros por curiosidade, abriram o saco feito de couro que o
deus Éolo entregou a Odisseu, saindo de lá uma ventania tão forte que os fez se
afastar ainda mais de seu destino, Ítaca (Odisseia,
X, 17-49). Isso influenciou diretamente no fato de Odisseu só conseguir retornar ao seu lar 10 anos depois.
Sendo caixa ou jarra, o ser humano é
tomado pela curiosidade ao se ver diante de uma. Até nos dias atuais, são
pouquíssimas as pessoas que obedecem sem hesitar ao seguinte comando: Tome essa
caixa e guarde, sem olhar o que tem dentro!
Eu reconheço que não hesitaria e na primeira
oportunidade abriria a caixa. Se eu não resisto, por que Pandora resistiria?
Por isso eu compreendo a atitude de Pandora e não a condeno mais. E você, seria
forte o suficiente e hesitaria em não abrir uma caixa que está em suas mãos? Eu respondo
essa questão parafraseando Jesus: Então, quem não tiver curiosidade que atire a
primeira pedra em Pandora.
Obs.: Se você quiser contribuir com 0,50 centavos de Grécia Antiga é só enviar uma foto para o em-mail jacquelynequeiroz@gmail.com que contamos a sua história aqui.
HESÍODO.
Teogonia: A origem dos deuses.
Tradução e notas de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995.
HESÍODO.
Trabalho e os Dias. In: ______. Teogonia/Trabalho
e os Dias. Tradução de Sueli Maria Regino. São Paulo: Martin Claret, 2010.
HOMERO.
Odisseia (Versão bilíngue). Tradução,
posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2012.
domingo, 15 de março de 2015
Diário de Jack: A chinesa Mei e o estranhamento cultural.
Acho
que vai virar tradição me vestir com elementos de outra cultura para dar início
ao assunto estranhamento cultural no 1º ano do Ensino Médio (Colégio São Jorge
dos Ilhéus). Em 2015 resolvi me vestir de chinesa. Não temi como no ano passado
os alunos não me estranharem, pois termos em nossa cidade contato com orientais
através do comércio. Ou seja, o que eu vesti poderia ser facilmente adquirido
por qualquer um em algumas lojas de Ilhéus.
O estranhamento cultural ocorreria
através surpresa, pois estaria vestida de chinesa (sem aviso prévio) e entraria
em sala de aula como se nada estivesse acontecendo. Foi fácil me caracterizar:
Uma peruca, um qipao (vestido
vermelho tradicional chinês), um guarda sol, sapatilhas pretas e leque.
Acredito que atingi meu objetivo,
pois a primeira carinha que os alunos fizeram ao me verem na porta da sala foi
de estranhamento. Claro que segundo depois vieram a euforia, as risadas e a
curiosidade.
Mei e os alunos do 1º ano A/2015.
Mei e os alunos do 1ª ano B/2015.
Expliquei
a turma que me chamava Mei e que tinha vindo diretamente da China para falar um
pouco da cultura de meu pais. O momento foi um misto de atenção, risadas (de
novo), perguntas e anotações. Nesse clima pude então com facilidade relacionar
o comportamento da turma ao estranhamento cultural sempre presente em nosso
cotidiano.
O mar de Xica da Silva
Ao analisarmos o trecho da telenovela Xica da Silva (1996) podemos perceber algum tipo de mobilidade social durante o ciclo do ouro no período colonial brasileiro? (Responda em seu caderno).
Click na Imagem ou click aqui: https://www.youtube.com/watch?v=p-M-hoMtAl8
sábado, 14 de março de 2015
Diário de Jack: Súditos recebem a visita da rainha Jacquelyne III.
Acredito
que quando falamos em sala de aula do poder dos reis e das rainhas da Europa no
século XVII tudo parece muito distante de nossa realidade. Por isso pensei em
uma forma dos alunos sentirem um pouco o peso da autoridade divina e
inquestionável dos reis. Então resolvi entrar em sala de aula utilizando alguns
elementos reais para introduzir o assunto Absolutismo.
Foi tudo muito simples: utilizei
somente uma capa vermelha, uma coroa dourada e uma vassoura. Ao entrar na sala
falei que eu me chamava Jacquelyne III do reino da Sala da Sétima Série e que
eles (os alunos) eram os meus súditos. Logo em seguida pedi que um aluno
levasse o meu material até a mesa, outro aluno segurasse a minha capa real
durante a aula e um terceiro aluno que passasse a vassoura no lugar onde eu
passaria. Todos ficaram eufóricos e queriam participar da brincadeira.
Alunos da 7ª série/8º ano do Colégio São Jorge dos Ilhéus 2015.
Maria Cristina - Varredora real (de mentirinha).
Ainda durante a aula distribui títulos de
nobreza e deleguei cargos (escrivão real e apagador de quadros real). Criei “leis
malucas” e os meus súditos me obedeceram sem contestação (apesar da quantidade
de risos que as leis provocavam). Expliquei sobre a indumentária real e o papel
de Luís XIV de ter a iniciativa em associar a sua imagem ao poder, criando elementos
do vestuário e comportamentos que facilitassem a sua identificação/distinção
enquanto rei.
O feedback foi positivo: alunos curiosos,
atentos, animados e cheios de perguntas. Gostei muito da experiência.
quinta-feira, 12 de março de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
0,50 centavos de Grécia Antiga: Febo e o sabonete de meu avô.
Por Jacquelyne Queiroz
Fonte: Acervo pessoal.
Quando criança acompanhava meus avós ao
mercado e sempre vi meu avô colocar vários desses sabonetes no carrinho de
compras. Quando chegávamos em casa ele colocava esses sabonetes separados em
uma parte de um cômoda. Toda vez que eu abria as suas gavetas saia de lá um
cheiro gostoso. As gavetas de meu avô estavam cheias de 0,50 centavos de Grécia
Antiga e eu não sabia.
O sabonete que meu avô tanto gosta se chamava
Phebo. Mas, por que um sabonete tem esse nome?
Segundo Hesíodo, Apolo é filho de Zeus com
Leto e tem como irmã gêmea a deusa Artêmis (Hes. Teogonia, v. 918-920). Nasceu na ilha de Delos, onde ficou
escondido com a ajuda de Poseidon, pois Hera o perseguia louca de fúria e
ciúmes. Vamos lembrar que Zeus era casado com Hera e Apolo foi fruto da traição
de Zeus com outra deusa.
Apolo já crescido e não mais perseguido por
Hera, detinha poder e funções. Ele era responsável pelos dias e pelas noites, pois
transportava o carro com o Sol para o alto do céu e depois guardava-o atrás das
montanhas. Uma vez por ano viajava com o carro do Sol para terras distantes e
assim se instalava o inverno na Terra.
Como era o deus da luz ele protegia os
campos, os navegantes e os artistas. Era o deus da alvorada, das profecias, do
princípio do mês e do número sete (regente das revoluções lunares) (OTTO, 2006,
p. 140). Também era um excelente arqueiro e o deus curador por excelência.
Os deuses gregos tinham a natureza dupla,
então Apolo sendo o deus curador é o mesmo que enviava a peste (doença
contagiosa) através das flechas de seu arco quando necessário. Tanto na Ilíada (Ilíada, I, 43-56) quanto na tragédia grega Édipo Rei (Sóf. Édipo Rei,
v. 1-87) os gregos são punidos com uma doença enviada por Apolo, ficando pilhas
e pilhas de cadáveres a espera de serem cremados.
As características de Apolo que são mais
exaltadas e lembradas pela nossa cultura ocidental são: a beleza e a juventude.
Apolo era o deus bonitão da Grécia antiga, sempre era retratado forte, alto,
com os ombros largos, com cabelos ondulados e sem barba (o que para os gregos
era sinal juventude).
A sua vida amorosa não esteve a altura de sua
beleza, pois sempre se dava mal: quando Apolo se apaixonou por Cassandra essa
cuspiu na cara dele (STEPHANIDES, 2000, p. 53), quando ele quis ter uma
coisinha com Jacinto, o deus Éolo com ciúmes provoca um acidente com o rapaz
que vem a falecer (BULFINCH, 2001, p. 83-84) e Dafne preferiu se transformar em
uma árvore do que se entregar ao deus mais bonito de todos (VICTÓRIA, 2000, p.
35).
Na Ilíada
o deus da beleza é chamado de “Febo Apolo” (Iliada,
I, 43). Acredito que Homero acabou de responder a pergunta que fiz no início
dessa postagem. Quem usa o sabonete Phebo talvez se torne parecido com o deus
Apolo, pois vai ficar cheiroso, másculo, robusto, cheiroso de novo e
encantador... ou pelo menos se sentir assim.
Para mim, meu avó que usa esse sabonete há
anos se parece com Febo Apolo, apesar de ser magrinho e franzino. Ele se deu
melhor no amor que o deus da beleza, já que está com minha avó há 54 anos.
REFERÊNCIA:
BULFINCH,
Thomas. O livro de ouro da mitologia:
história de deuses e de deusas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
DAFNE.
VICTÓRIA, Luiz A. P., Dicionário Básico de Mitologia: Grécia, Roma e Egito. Rio
de Janeiro: Ediouro, 2000.
HESÍODO.
Teogonia. In: ______. Teogonia/Trabalho
e os Dias. Tradução Sueli Maria Regino. São Paulo: Martin Claret, 2010.
HOMERO.
Ilíada. Edição bilíngue. Tradução de
Haroldo de Campos. São Paulo: Arx, 2003.
OTTO.
Walter E. Teofania. São Paulo:
Odysseus, 2006.
SÓFOCLES.
Édipo Rei. Tradução de Paulo Neves.
Porto Alegre: L&PM, 2006.
STEPHANIDES,
Menelaos. Ilíada: A Guerra de Tróia.
São Paulo: Odysseus, 2000.
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