quinta-feira, 14 de abril de 2016

Rito de passagem indígena

1º ano do Ensino Médio (Colégio São Jorge dos Ilhéus/2016), logo abaixo se encontra o vídeo que assistimos em sala de aula para melhor compreendermos a questão dos ritos de passagem tão estudados pelos antropólogos.
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sábado, 26 de março de 2016

0,50 centavos de Grécia Antiga: O sensual Hermes e as folhas de cacau.

Por Jacquelyne Queiroz

      Estava subindo as escadarias de um prédio em Ilhéus (Sul da Bahia) quando vejo um painel com mais de dois metros de altura. Pela posição do prédio e por ser fim de tarde o vitral estava especialmente iluminado fazendo as figuras que o compunham saltarem aos olhos de quem passava.
Parei durante uns instantes e no meio daquele colorido bonito vi a imagem de um jovem em meio as árvores. Logo percebi que o rapaz estava usando um capacete com asas, sandálias aladas e portando um caduceu (cajado). Reconheci o jovem como o deus Hermes, mas logo me perguntei: O que que Hermes está fazendo aqui nu, sensualizando atrás dessas folhas de cacau?
            E assim constatei que o pé de cacau por aqui poderia me dar mais que chocolate, pois nele encontrei 0,50 centavos de Grécia Antiga.
            Zeus se encontrava com a ninfa Maia enquanto a sua esposa Hera dormia. Desses encontros amorosos nasceu Hermes que tinha dentre as suas características ser multiardiloso. Serra (2006, p. 189) nos fala que multiardiloso nesse sentido pode significar alguém que é multiversátil, muito astuto, que sempre encontra um jeitinho de sair dos problemas, sabe fabricar soluções ou seja, aquele que sabe “dar a voltar por cima” em alguma situação difícil.
            Outra característica de Hermes é que ele é célere (H. H., XVIII, 3), ou seja rápido. Ele era tão danado que nasceu de manhã, meio dia inventou citara e à noite roubou as vacas de Apolo (H. H., IV, 17-20). Ainda usando fraldas, Hermes ao roubar as vacas faz para si uma sandália em que a direção dos pés fiquem ao contrário e envolto em folhas (H.H., IV, 77-82) para despistar quem o procurasse.
            A parte cômica da narrativa é imaginar Apolo forte e com porte atlético segurando um bebê recém nascido nos braços, falando sério e bravo, acusando Hermes bebê de roubo. Enquanto Hermes todo irônico pergunta a Apolo se ele lhe parecia ser robusto para poder roubar (H.H., IV, 265-269).
            Apesar de Hermes ser um bebê, com palavras ardilosas, ele tenta enganar Apolo, negando até o fim que não roubou as vacas. Zeus, seu pai, exige que Hermes mostre onde estão as vacas a Apolo e assim é feito. Para aplacar a ira de Apolo, Hermes negocia com ele a lira que tinha inventado naquele mesmo dia, ficando Apolo muito contente com o instrumento musical. O deus da beleza ainda diz a Hermes que ele seria o deus estabelecedor das “artes da troca” entre os homens (H.H. ,IV, 517) e ainda o presenteou com o caduceu.
            Hermes é sempre representado moço e sem barba (Odisseia, X, 277-279) e também gosta de estar longe das batalhas (Ilíada, XX, 35). Até porque a guerra prejudica em muito o andamento do comércio.
            Essa imagem estava justamente no prédio da Associação Comercial de Ilhéus que foi construído em 1934. Nesse período o comércio da cidade era muito próspero por conta do cultivo de cacau (a cidade foi uma das maiores produtoras do mundo durante muitos anos). Fiquei muito feliz com a coerência, não haveria melhor lugar na cidade para Hermes morar.
Até aqui consegui entender porque o Hermes retratado no vitral é jovem e está carregando o caduceu (presente de Apolo), mas ainda não compreendi muito bem porque o deus do comércio e da eloquência está nu. Acredito que se ele visse essa homenagem... sensualizando... acho que ficaria com vergonha de ser as suas vergonhas sendo escondidas com os galhos de um cacaueiro.

REFERÊNCIAS:
HOMERO. Hino Homérico IV: A Hermes (versão bilíngue). Tradução e notas de Ordep Serra. São Paulo: Odysseus, 2006.
______. Hinos Homéricos I e do VI ao XXXIII (versão bilíngue). Tradução e notas de Luiz Alberto Machado Cabral. São Paulo: Odysseus, 2010.
______. Ilíada (versão bilíngue). v. 2. Tradução Haroldo de Campos. São Paulo: Arx, 2002.
______. Odisseia (versão bilíngue). Tradução, posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo: 34, 2012.
SERRA, Ordep. Notas. In: HOMERO. Hino Homérico IV: A Hermes. (Tradução, introdução, estudos e notas de Ordep Serra). São Paulo: Odysseus, 2006, p. 179-232.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Fez a atividade: Tá tranquilo, tá favorável!

Para incentivar os alunos do Colégio São Jorge dos Ilhéus/2016 fiz uma brincadeira com carimbos para marcar as tarefas cumpridas e as não cumpridas. Depois de verificar se foram realizadas comemoramos fazendo uma dancinha.
Ninguém quer receber o carimbo que diz que não está tranquilo, não está favorável.
Eu acho que a brincadeira deu certo. 

Click no vídeo abaixo para ver a nossa experiência.






quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Classes perigosas

A reportagem abaixo confirma ou discorda com o conceito de "classes perigosas" empregado pela política da medicina sanitarista do século XX? Justifique a sua resposta. (Responda em seu caderno.)

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Vinda da Família Real

7ª A e B (Colégio São Jorge dos Ilhéus - 2015) temos aqui 4 episódios (em forma de desenho animado) contando a história da vinda da Família Real para o Brasil.
EPISÓDIO 01

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EPISÓDIO 02
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EPISÓDIO 03
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EPISÓDIO 04
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terça-feira, 11 de agosto de 2015

0,50 centavos de Grécia Antiga: Nem a Nike nos ajudou

Por Jacquelyne Queiroz

          Laís Souza, aluna do curso de Licenciatura em História da UNEB/Eunápolis, nos escreveu fazendo o seguinte questionamento: Podemos ter 0,50 centavos da Grécia Antiga ao observamos a marca de artigos esportivos Nike?
            Sim, eu acho na verdade que podemos ter até 1 real da Grécia antiga com a marca Nike.

          A deusa grega Nike (Nique, Nice) tem como características principais conceder a vitória e a velocidade. Ela é filha da deusa Estige e do titã Palas. Tem como irmãos Zelo (Dedicação), Crato (Poder) e Bias (Força). Hesíodo nos conta que durante a guerra de Zeus contra os titãs, a deusa Estige foi a primeira a oferecer o apoio de seus filhos à Zeus.
Depois de vencida a batalha contra os titãs e reestabelecida a ordem sobre a terra, os deuses Nike, Zelo, Crato e Bias estão “sempre perto de Zeus gravitroante [troveja gravemente] repousam” (Hes. Teogonia, v. 383-401).
       Segundo outras narrativas míticas a deusa Nike é companheira inseparável de Atena. Mossé (2008, p. 154) afirma que a estátua de Atena Partenos media quase 12 metros e trazia na mão direita a deusa Nike com 2 metros de altura.
         Nike é descrita como uma deusa alada que portava uma palma e uma coroa feita de ramos. Além de ser companheira de Zeus e de Atena, ela também estava à frente dos jogos ginásticos, das artes e dos trabalhos artesanais.
       Desde os Jogos Olímpicos de 1896 quase todas as medalhas olímpicas possuem a imagem da deusa Nike e da coroa de ramos. Vale a pena dar uma olhadinha na reportagem da revista Época (click AQUI) onde mostra os detalhes dessas medalhas e a presença tão forte da deusa da vitória nos esportes. É muito provável que o símbolo da marca de artigos esportivos Nike seja uma tentativa de reproduzir uma das asas da deusa. 
       Agora, faço o seguinte questionamento: Por que uma marca de artigos esportivos escolhe como nome Nike? A resposta nos parece agora tão óbvia... é claro, para evocar a vitória e a velocidade para aqueles que a usam.
        Mas, será que a deusa Nike vai conceder a vitória apenas para aqueles que usam/carregam um dos seus símbolos? Vamos utilizar um exemplo para tentarmos elucidar essa questão: a marca Nike é patrocinadora da seleção brasileira de futebol.
        No dia 8 de julho de 2014 o time de futebol brasileiro levou 7 gols da Alemanha na Copa. Foi terrível, levantei para pegar uma pipoca na cozinha e quando voltei o Brasil já tinha levado mais 2 gols. O negócio foi tão feio que mesmo carregando a Nike no peito, a deusa da vitória não nos ajudou nesse jogo.
              
REFERÊNCIAS
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. v. 1. Petrólis: Vozes, 1986.
HESÍODO. Teogonia: A origem dos deuses (versão bilíngue). Tradução e notas de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995.     
MOSSSÉ, Claude. Péricles: o inventor da democracia. São Paulo: Estação Liberdade, 2008.
VITÓRIA. Dicionário de Mitologia Greco-Romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973.





terça-feira, 14 de julho de 2015

Como adquirir inteligência e dicas para estudar com eficiência.

Essa palestra realizada pelo professor Pierluigui Piazzi é muito legal. Até que enfim alguém diz que ESTUDAR É ESCREVER.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

0,50 centavos de Grécia Antiga: O Pégaso que me deu trabalho

         Por Jacquelyne Queiroz

          Viajando para o Espírito Santo, peguei um voo com conexão em Brasília de cinco horas. O que fazer para acabar com o tédio em um aeroporto gigantesco? Andar, futucar o que tem nas lojas e ver o que tem por aí. E assim comecei a minha andança no aeroporto para matar o tempo. Até que me deparei em uma loja de departamento com 0,50 centavos de Grécia Antiga bem diante de meus olhos.

Fiquei louca por esse pônei alado e ainda mais por ser azul, cor preferida de minha filha. Pensei logo em comprá-lo para presenteá-la. Mas refleti um pouco e pensei que no Espírito Santo poderia encontrá-lo com o valor mais em conta. Apesar de só ter um Pégaso azul nessa loja do aeroporto resolvi arriscar e comprá-lo no Espírito Santo.
       Durante o voo me lembrei da origem do Pégaso. Perseu queria trazer a cabeça de Medusa para que o rei Polidectes casasse com outra pretendente e deixasse a sua mãe Dânae em paz, pois este vivia “forçando a barra” para casar com ela sem o seu consentimento.
          E assim começou a aventura de Perseu, logo no início de sua jornada ele pediu ajuda a seu pai, Zeus. O deus do relâmpago e do trovão imediatamente ordenou a outros dois deuses que o ajudasse: Hermes, que deu a ele uma espada de diamante para cortar a cabeça da Medusa; e, Atena que entregou-lhe um escudo bem polido que poderia ser feito como espelho.
           Ainda no caminho, Perseu recebeu das ninfas outros apetrechos para ajudá-lo em sua empreitada: um par de sandálias aladas, o capacete de Hades (que o tornava invisível) e um saco mágico para colocar a cabeça da Medusa (STEPHANIDES, 2004, p. 24).
           Segundo Grimal (2010, p. 31), a Medusa tinha um aspecto pavoroso, pois além dos cabelos de serpentes, possuíam o corpo todo de escamas, mãos de bronze, asas de ouro, olhos que faiscavam e quem os olhasse diretamente era transformado em pedra. Mesmo com um aspecto tão horroroso, Poseidon não tinha medo e a deixou grávida.
           Ao chegar ao local indicado, Perseu voou com as sandálias aladas e invisível encontrou as três irmãs Górgonas dormindo. Ele com cautela escolheu a mortal Medusa e com o auxílio do reflexo do escudo, sem olhar para ela, “lhe decapitou o pescoço, surgindo o grande Aurigládio [o gigante Crisaor] e Pégaso” (Hesíodo, Teogonia, v. 280-281).
           Se formos aqui somar dois mais dois, vamos entender que tanto Crisaor quanto Pégaso são filhos de Poseidon. Pégaso também teve algumas participações importantes no mundo heroico, pois além de ajudar Perseu em suas aventuras, ainda auxiliou Belerofonte a matar um mostro marinho. Quando Belerofonte morreu, Pégaso foi morar no Olimpo apesar de ser filho de Poseidon. Não sabemos porque ele preferiu a morar com o tio.
          Vamos voltar ao pônei alado azul da foto. No site oficial da marca, o nome desse brinquedo é Meu Pequeno Pônei Arco-Íris (tradução) e lá tem a informação que ela é um pégaso fêmea. Porém, as narrativas míticas da Grécia Antiga se referem a Pégaso como macho.
 Apesar do brinquedo ser azul e possuir a cabeleira multicolorida, eu não encontrei informações ou maiores descrições (como a cor ou tamanho) nos livros que consultei. Ainda o site oficial do brinquedo nos informa que esse personagem (que faz parte de um desenho animado) tem como símbolo o arco-íris. Só que o arco-íris é a teofanização (manifestação divina) da deusa Íris, divindade responsável pela comunicação. E por que a marca do brinquedo associou Pégaso ao arco-Íris? Vamos chutar?! É por que Pégaso apesar de ser filho do deus do oceano, ele vivia no ar pertinho do arco-íris?! Eis o mistério da fé...
          A questão é que o Pégaso “fêmea” da foto me deu muito trabalho. Pois quem disse que eu achei para comprar em Vitória do Espírito Santo? Corri meio mundo para comprar esse brinquedo e não consegui. A minha esperança estava na viagem de volta, pois teria que passar novamente pelo aeroporto de Brasília.
          Depois de correr, implorar para a vendedora em Brasília procurar comigo o pônei, pedir desconto, ouvir “Já está no preço de à vista”, trazer na bagagem de mão do avião, esconder de uma criança vizinha de poltrona porque os olhinhos dela brilharam quando viram o brinquedo... finalmente encontro minha filha, entrego o Pégaso “fêmea” azul e, e... ela pega o cavalo alado joga longe e prefere a caixa do brinquedo. Poxa!

REFERÊNCIAS:
GRIMAL, Pierre. Mitologia Grega. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010.
HESÍODO. Teogonia (Estudo e tradução de Jaa Torrano). São Paulo: Iluminuras, 1995.
PÉGASO. Dicionário de Mitologia Greco-Romana. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
STEPHANIDES, Menelaos. Teseu, Perseu e Outros Mitos. São Paulo: Odysseus, 2004.

quarta-feira, 18 de março de 2015

0,50 centavos de Grécia Antiga: As caixas de papelão e Pandora

Por Jacquelyne Queiroz          

         Carol Lima (estudante do curso de graduação em História da UNEB, Campus XVIII – Eunápolis) indo para o seu trabalho, se deparou com 0,50 centavos de Grécia Antiga bem a sua frente: uma fábrica de caixas de papelão.
Pandora: fábrica de caixas de papelão em Eunápolis (Bahia) 
         Quase todo mundo acaba associando Pandora às caixas e a curiosidade em abri-las. Mas, para falarmos aqui um pouco sobre Pandora, temos que primeiro contarmos a história de Prometeu, pois é praticamente impossível falar sobre um e não mencionar o outro.
Prometeu (que significa pensar antes de fazer) realizou duas ações em que tentou passar Zeus para trás. A primeira foi quando estava à frente do sacrifício de um boi para os deuses e ao dividir a oferenda entregou a carne boa para os mortais e os ossos com gordura para Zeus (Hes., Teogonia, v. 535-557. A segunda vez, se deu quando Prometeu roubou de Zeus o fogo e entregou aos homens (Hes., Teogonia, v. 561-569).
Claro que Zeus se enfureceu e não iria deixar que tal acontecimento passasse sem maiores consequências. Então, em troca do fogo, Zeus enviara “um mal com o qual todos se alegrarão”, mas que no fundo seria uma grande desventura (Hes., O Trabalho e os Dias, v. 53-59).
Sob o comando de Zeus, Hefesto mistura terra e água, moldando à forma e semelhança das belas jovens deusas imortais. Ordenou à Atena que lhe ensinasse a arte da tecelagem e do bordado. À Afrodite, coube dar graciosidade, encanto e desejo. E por último encarregou Hermes de por o espírito cínico e dissimulado no peito da nova criatura. Ainda Hermes lhe atribuiu a fala e um nome: Pandora, porque todos os deuses do Olimpo haviam lhe concedido um dom (Hes., O Trabalho e os dias, v. 60-80).
            A mulher era um ser perigoso, pois com tais características o homem poderia ser facilmente engando pelas palavras e beleza. Ainda em outro trecho da Teogonia, Hesíodo nos conta que a mulher só é companheira dos homens enquanto existe luxo e que procuram fugir quando vem a pobreza (Hes., Teogonia, v. 591-593).
            Zeus afirma que através da mulher ele criou o belo mal. Nossa! Só para recapitular: as mulheres perante a mitologia grega são mentirosas, ardilosas, teimosas, curiosas, interesseiras, fofoqueiras e muito bonitas. Elas são a grande desgraça e maldição dos homens.
            Pandora foi entregue como presente a Epimeteu (irmão de Prometeu e seu nome significa aquele que pensa depois de fazer). Ele muito se alegrou em receber o presente de Zeus, porém não sabia que lhe estava reservado. Epimeteu possuia em sua casa um jarro em que guardava alguns artigos malignos de que não se utilizava. Apesar de ser advertida para não mexer no recipiente, Pandora tomada por uma imensa curiosidade, destampa a jarra e dela saiu as pestes, as guerras, a fome, o trabalho e outros males, só restando no fundo da jarra a Esperança (por vontade de Zeus, caso contrário até essa tinha escapado) (Hes., Trabalho e os Dias, v. 90-99).
            Em Eunápolis (Bahia) existe uma fábrica de caixas de papelão feitas por encomenda denominada Pandora (ver imagem acima). Adorei o nome da fábrica. Mas a tradução de alguns escritos antigos quando falam acerca de Pandora, não mencionam a palavra caixa, mas sim o termo jarra. Os vasos de cerâmica eram utilizados para praticamente tudo na Grécia Antiga, a sua utilidade variava bastante, pois serviam para adornar os ambientes, guardar alimentos e até serem usadas como urnas fúnebres. Acredito que a imagem de Pandora passa a ser associada à caixa com mais força a partir do Renascimento cultural, através da releitura do mito nas telas de artistas famosos do período, pois sempre ela parece ao lado de uma caixa.
             No mito de Pandora, as desgraças da humanidade são atribuídas às mulheres. Mas, acontecimentos ruins também foram atribuídos à curiosidade dos homens, por exemplo, a Odisseia menciona que os marinheiros por curiosidade, abriram o saco feito de couro que o deus Éolo entregou a Odisseu, saindo de lá uma ventania tão forte que os fez se afastar ainda mais de seu destino, Ítaca (Odisseia, X, 17-49). Isso influenciou diretamente no fato de Odisseu só conseguir retornar ao seu lar 10 anos depois.
            Sendo caixa ou jarra, o ser humano é tomado pela curiosidade ao se ver diante de uma. Até nos dias atuais, são pouquíssimas as pessoas que obedecem sem hesitar ao seguinte comando: Tome essa caixa e guarde, sem olhar o que tem dentro!
Eu reconheço que não hesitaria e na primeira oportunidade abriria a caixa. Se eu não resisto, por que Pandora resistiria? Por isso eu compreendo a atitude de Pandora e não a condeno mais. E você, seria forte o suficiente e hesitaria em não abrir uma caixa que está em suas mãos? Eu respondo essa questão parafraseando Jesus: Então, quem não tiver curiosidade que atire a primeira pedra em Pandora.

Obs.: Se você quiser contribuir com 0,50 centavos de Grécia Antiga é só enviar uma foto para o em-mail jacquelynequeiroz@gmail.com que contamos a sua história aqui.

HESÍODO. Teogonia: A origem dos deuses. Tradução e notas de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995.
HESÍODO. Trabalho e os Dias. In: ______. Teogonia/Trabalho e os Dias. Tradução de Sueli Maria Regino. São Paulo: Martin Claret, 2010.
HOMERO. Odisseia (Versão bilíngue). Tradução, posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2012.

domingo, 15 de março de 2015

Diário de Jack: A chinesa Mei e o estranhamento cultural.

           Acho que vai virar tradição me vestir com elementos de outra cultura para dar início ao assunto estranhamento cultural no 1º ano do Ensino Médio (Colégio São Jorge dos Ilhéus). Em 2015 resolvi me vestir de chinesa. Não temi como no ano passado os alunos não me estranharem, pois termos em nossa cidade contato com orientais através do comércio. Ou seja, o que eu vesti poderia ser facilmente adquirido por qualquer um em algumas lojas de Ilhéus.
            O estranhamento cultural ocorreria através surpresa, pois estaria vestida de chinesa (sem aviso prévio) e entraria em sala de aula como se nada estivesse acontecendo. Foi fácil me caracterizar: Uma peruca, um qipao (vestido vermelho tradicional chinês), um guarda sol, sapatilhas pretas e leque.
            Acredito que atingi meu objetivo, pois a primeira carinha que os alunos fizeram ao me verem na porta da sala foi de estranhamento. Claro que segundo depois vieram a euforia, as risadas e a curiosidade.
Mei e os alunos do 1º ano A/2015.

Mei e os alunos do 1ª ano B/2015.

Expliquei a turma que me chamava Mei e que tinha vindo diretamente da China para falar um pouco da cultura de meu pais. O momento foi um misto de atenção, risadas (de novo), perguntas e anotações. Nesse clima pude então com facilidade relacionar o comportamento da turma ao estranhamento cultural sempre presente em nosso cotidiano.


O mar de Xica da Silva


Ao analisarmos o trecho da telenovela Xica da Silva (1996) podemos perceber algum tipo de mobilidade social durante o ciclo do ouro no período colonial brasileiro? (Responda em seu caderno).

Click na Imagem ou click aqui: https://www.youtube.com/watch?v=p-M-hoMtAl8

sábado, 14 de março de 2015

Diário de Jack: Súditos recebem a visita da rainha Jacquelyne III.

        Acredito que quando falamos em sala de aula do poder dos reis e das rainhas da Europa no século XVII tudo parece muito distante de nossa realidade. Por isso pensei em uma forma dos alunos sentirem um pouco o peso da autoridade divina e inquestionável dos reis. Então resolvi entrar em sala de aula utilizando alguns elementos reais para introduzir o assunto Absolutismo.
            Foi tudo muito simples: utilizei somente uma capa vermelha, uma coroa dourada e uma vassoura. Ao entrar na sala falei que eu me chamava Jacquelyne III do reino da Sala da Sétima Série e que eles (os alunos) eram os meus súditos. Logo em seguida pedi que um aluno levasse o meu material até a mesa, outro aluno segurasse a minha capa real durante a aula e um terceiro aluno que passasse a vassoura no lugar onde eu passaria. Todos ficaram eufóricos e queriam participar da brincadeira.
                               Alunos da 7ª série/8º ano do Colégio São Jorge dos Ilhéus 2015.

                                          Maria Cristina - Varredora real (de mentirinha).

Ainda durante a aula distribui títulos de nobreza e deleguei cargos (escrivão real e apagador de quadros real). Criei “leis malucas” e os meus súditos me obedeceram sem contestação (apesar da quantidade de risos que as leis provocavam). Expliquei sobre a indumentária real e o papel de Luís XIV de ter a iniciativa em associar a sua imagem ao poder, criando elementos do vestuário e comportamentos que facilitassem a sua identificação/distinção enquanto rei.
O feedback foi positivo: alunos curiosos, atentos, animados e cheios de perguntas. Gostei muito da experiência.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

0,50 centavos de Grécia Antiga: Febo e o sabonete de meu avô.

Por Jacquelyne Queiroz

Fonte: Acervo pessoal.

Quando criança acompanhava meus avós ao mercado e sempre vi meu avô colocar vários desses sabonetes no carrinho de compras. Quando chegávamos em casa ele colocava esses sabonetes separados em uma parte de um cômoda. Toda vez que eu abria as suas gavetas saia de lá um cheiro gostoso. As gavetas de meu avô estavam cheias de 0,50 centavos de Grécia Antiga e eu não sabia.
O sabonete que meu avô tanto gosta se chamava Phebo. Mas, por que um sabonete tem esse nome?
Segundo Hesíodo, Apolo é filho de Zeus com Leto e tem como irmã gêmea a deusa Artêmis (Hes. Teogonia, v. 918-920). Nasceu na ilha de Delos, onde ficou escondido com a ajuda de Poseidon, pois Hera o perseguia louca de fúria e ciúmes. Vamos lembrar que Zeus era casado com Hera e Apolo foi fruto da traição de Zeus com outra deusa.
Apolo já crescido e não mais perseguido por Hera, detinha poder e funções. Ele era responsável pelos dias e pelas noites, pois transportava o carro com o Sol para o alto do céu e depois guardava-o atrás das montanhas. Uma vez por ano viajava com o carro do Sol para terras distantes e assim se instalava o inverno na Terra.
Como era o deus da luz ele protegia os campos, os navegantes e os artistas. Era o deus da alvorada, das profecias, do princípio do mês e do número sete (regente das revoluções lunares) (OTTO, 2006, p. 140). Também era um excelente arqueiro e o deus curador por excelência.
Os deuses gregos tinham a natureza dupla, então Apolo sendo o deus curador é o mesmo que enviava a peste (doença contagiosa) através das flechas de seu arco quando necessário. Tanto na Ilíada (Ilíada, I, 43-56) quanto na tragédia grega Édipo Rei (Sóf. Édipo Rei, v. 1-87) os gregos são punidos com uma doença enviada por Apolo, ficando pilhas e pilhas de cadáveres a espera de serem cremados.
As características de Apolo que são mais exaltadas e lembradas pela nossa cultura ocidental são: a beleza e a juventude. Apolo era o deus bonitão da Grécia antiga, sempre era retratado forte, alto, com os ombros largos, com cabelos ondulados e sem barba (o que para os gregos era sinal juventude).
A sua vida amorosa não esteve a altura de sua beleza, pois sempre se dava mal: quando Apolo se apaixonou por Cassandra essa cuspiu na cara dele (STEPHANIDES, 2000, p. 53), quando ele quis ter uma coisinha com Jacinto, o deus Éolo com ciúmes provoca um acidente com o rapaz que vem a falecer (BULFINCH, 2001, p. 83-84) e Dafne preferiu se transformar em uma árvore do que se entregar ao deus mais bonito de todos (VICTÓRIA, 2000, p. 35).
Na Ilíada o deus da beleza é chamado de “Febo Apolo” (Iliada, I, 43). Acredito que Homero acabou de responder a pergunta que fiz no início dessa postagem. Quem usa o sabonete Phebo talvez se torne parecido com o deus Apolo, pois vai ficar cheiroso, másculo, robusto, cheiroso de novo e encantador... ou pelo menos se sentir assim.
Para mim, meu avó que usa esse sabonete há anos se parece com Febo Apolo, apesar de ser magrinho e franzino. Ele se deu melhor no amor que o deus da beleza, já que está com minha avó há 54 anos.

REFERÊNCIA:

BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: história de deuses e de deusas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
DAFNE. VICTÓRIA, Luiz A. P., Dicionário Básico de Mitologia: Grécia, Roma e Egito. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
HESÍODO. Teogonia. In: ______. Teogonia/Trabalho e os Dias. Tradução Sueli Maria Regino. São Paulo: Martin Claret, 2010.
HOMERO. Ilíada. Edição bilíngue. Tradução de Haroldo de Campos. São Paulo: Arx, 2003.
OTTO. Walter E. Teofania. São Paulo: Odysseus, 2006.
SÓFOCLES. Édipo Rei. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2006.
STEPHANIDES, Menelaos. Ilíada: A Guerra de Tróia. São Paulo: Odysseus, 2000.